30 dias na França – Dia 16 a 30

por | jun 13, 2017 | 30 dias na França, Destinos, França | 2 Comentários

Esse post é a continuação do http://50countries5years.com/pt-br/30diasnafranca/

 

Passeio às Ilhas Chausey e a Rota Submersível | dia 16

Essa região, a Normandia, é conhecida também pelas constantes chuvas que podem acontecer em qualquer época do ano. Dias de sol e calor ao mesmo tempo não são comuns, e como a previsão indicou bom tempo para essa semana, aproveitamos pra passar o dia nas Ilhas Chausey, o maior arquipélago do norte da Europa composto por 365 ilhas na maré baixa. A balsa para a travessia parte do porto de Granville e leva menos de 30 minutos (€27 ida e volta).

Hoje aqui na França é feriado ‘jeudi de l’ascension’ e por isso havia bastante gente na ilha. Geralmente as pessoas fazem apenas um bate-volta para pescar, fazer piquenique e relaxar, mas quem quiser passar a noite, além de um hotel, têm casas para alugar, aqui chamadas de ‘gîtes’. Apesar do dia bem quente, a água continua super gelada e não tivemos coragem de encarar. Passamos o dia todo relaxando e observando a natureza.

Uma coisa que continua me impressionando aqui, é o dia longo. O sol se põe em torno das 21h30, 22h e você demora pra se dar conta que já é tarde. O lado bom é que dá pra aproveitar bem o dia e hoje após o dia inteiro na ilha, ainda fomos à ‘Route Submersible’. Na comuna vizinha, em ‘Bricqueville-sur-Mer’, existe uma área submersível que é inundada pelas águas do mar quase todos os meses quando as grandes marés surgem. Na mesma rua em que há alguns dias atrás passamos de carro e vimos ao redor centenas de ovelhas no pasto, hoje estava coberto de água. Durante esse período, duas vezes por dia, essa área é submersa e após uma hora aproximadamente a água volta para o mar. Um fenômeno apreciado por muitos moradores locais que vão até o local assistir a rua sendo invadida pelas águas e até de caiaque!
Ainda estava claro quando fomos comer pizza próximo à praia e deu tempo de assistir o sol se pôr! Melhor ainda comendo uma maçã do amor!

Baguete 24h por dia e o ‘Jazz sous les pommiers’ | dia 17

 

Aqui em Muneville-sur-Mer não tem padaria, mas se tratando de uma cidade francesa, não poderia faltar pão. E não falta! Aqui tem baguete fresca todo dia e a qualquer hora. Elas são vendidas naquelas máquinas automáticas pelo preço de €1,10. Hoje fui ver como ela funciona e o pão é realmente fresco! Já vi muito dessas máquinas especialmente no Japão, que são bem populares e vendem os mais diversos produtos, mas pão fresco é a primeira vez!

Jazz Sous Les Pommiers é um festival de música que ocorre na cidade de Coutances, com duração de uma semana e sempre nessa mesma época. A programação é bem variada e tem vários espetáculos gratuitos. O primeiro que assistimos foi o ‘Allez les filles’, um grupo de 4 mulheres que fazem som sem instrumentos, interpretam e cantam ‘uma música para cada ocasião’, como elas mesmas dizem. A expressão corporal é bem evidente e as caras e bocas deixam o espetáculo super divertido. Logo em seguida fomos ver uma peça teatral interativa chamada ‘Germinal’ com dois artistas suíços, que conta uma história que eu não entendi quase nada, mas que convidam as crianças da platéia para atuarem. E o terceiro foi a apresentação de uma trapezista francesa. O espetáculo durou em torno de 30 min e o tempo todo ela ficou suspensa em uma barra curvada sem descanso, seja utilizando a força dos braços ou pernas. E não tinha proteção alguma embaixo! Aqui, mesmo em cidades pequenas, sempre tem algo bacana pra fazer, especialmente nessa época que começa a esquentar.

Travessia ao Monte Saint-Michel | dia 18

O Monte Saint-Michel, assim como a Torre Eiffel, é sem dúvida um dos cartões postais mais famosos da França. Não estava na minha ‘bucket list’ (lista de desejos ou coisas para fazer antes de morrer), e talvez justamente por não ter criado grandes expectativas, me encantei…
É um monte rochoso que se torna um ilhote na maré alta, onde foi construído uma abadia em homenagem ao arcanjo São Miguel, em francês Saint Michel. No passado esse monte já serviu de prisão e hoje é considerado Patrimônio Mundial pela Unesco.

Há várias maneiras de chegar até lá. De carro, ônibus turístico, de cavalo ou atravessar a pé, como nós fizemos. Agendamos a travessia tradicional com um guia credenciado (€ 13 travessia da ida a pé com guia e volta de ônibus), pois eles conhecem bem os horários das marés e os pontos de areias movediças da baía. Começamos às 13h, horário de maré baixa, e demoramos quase 3 horas para andar os 6km que separam a praia ‘Le bec d’andaine’ na cidade de ‘Genêts’ e o Monte Saint-Michel. Por estarmos em grupo e com várias crianças, a guia foi devagar para que todos pudessem acompanhar. Durante o trajeto, andamos sobre areias secas, molhadas, por uma areia que parece argila onde seus pés afundam ou você quase escorrega e por rios onde as águas batem os joelhos.

A entrada ao monte é gratuita, mas para entrar e conhecer a abadia, paga-se €10. No monte tem uma rua principal estreita cheia de restaurantes e lojas de souvenirs. Quem quiser dormir, há hotéis também.
Às 20h a maré começou a subir e às 21h30 o monte estava novamente coberto pelas águas do mar. De cima pudemos avistar alguns barcos rodeando… e pensar que naquela tarde atravessamos tudo aquilo a pé, realmente a natureza é bela!

Domingo de feira, descanso e planejamento | dia 19

Acordamos com preguiça, o tempo mudou. Dia nublado com cara de chuva. Mesmo assim fomos na feira, afinal era domingo. Não tinha pastel, mas compramos frango assado e batatas para o almoço. Os pais do Julien voltaram de viagem com mais seis amigos. Almoçamos todos juntos. Comida boa, vinho e sesta!

Quase 3 semanas aqui na França. Já é tempo de pensar no próximo destino. Aliás, sempre estamos pensando sobre isso, mas agora temos que decidir. Depois de passar um tempo no Japão com meu pai e outro tempo com os pais dele aqui, daqui pra frente vai ser diferente. Não teremos mais o conforto da nossa família por perto, mas com certeza estarão torcendo por nós.

Pra nossa próxima viagem, queremos fazer trabalho voluntário. Temos uma conta no Workaway, mas nunca chegamos a realmente usar. Pra quem não conhece, o Workaway é um dos vários sites que conectam viajantes dispostos a fazer trabalho voluntário e pessoas que precisam de algum tipo de ajuda. Em troca é oferecido acomodação, em alguns casos refeições e é uma grande oportunidade de conhecer outras culturas. Os trabalhos são variados, podendo ser em hostels, restaurantes, ONGs, cuidar de animais ou crianças, ensinar idiomas… Encontramos ofertas interessantes nos países em que queremos ir, enviamos algumas solicitações e agora estamos no aguardo de que alguém nos aceite. Ansiosos para saber onde iremos!

Menos é Mais | dia 20

Outro dia de chuva.
Por causa da intensa chuva de ontem, entrou água no subsolo da casa dos avós do Julien. Fomos até lá para retirar alguns pertences que o Julien havia deixado guardado antes de viajar. Muitas coisas que acumulamos durante o dia a dia e que metade foi pro lixo.

Desde que parti de Londrina em março, passei por lugares super quentes como Salvador e Rio de Janeiro e frios, como Seul ainda estava no final do inverno. E sempre carregando uma mochila de no máximo 8kg com poucas peças de roupas, mas que tem até sabão em pedra que comprei na Bahia. Vários artigos básicos, mas tenho também 2 echarpes e 3 pares de havaianas (sei que é demais, mas um é chinelo, outro é tipo sandália e o outro ganhei bem no aeroporto de São Paulo dos meus amigos antes de embarcar). Carrego sempre remédios pra dor de cabeça e minha placa para bruxismo. Mesmo com poucas coisas tenho conseguido viver bem. Claro que às vezes me lembro de algum item que ficou lá no meu quarto em tal gaveta e que cairia como uma luva em tal situação. Ou que combinaria melhor com o ‘look’ do dia. Mas nessas horas penso em tanta gente que sobrevive com tão pouco. É tudo questão de costume, desapego e escolha.

Ao invés de carregar coisas, levo comigo inúmeras lembranças, paisagens inesquecíveis, momentos vividos…
Ainda bem que a nossa capacidade de memória é imensa e não pesa!

Tempos de ócio | dia 21

Todos os dias os pais do Julien voltam para almoçar em casa e na maioria das vezes eles que cozinham. Mas como eu e Julien gostamos de nos aventurar na cozinha de vez em quando e estamos meio à toa no momento, começamos a ajudar mais na cozinha. Julien fez o ‘gratin dauphinois’ que ele já tinha feito em Londrina. É uma receita francesa de batatas gratinadas que leva basicamente queijo, leite e manteiga. Parecia bom quando tiramos do forno, mas as batatas não estavam completamente cozidas. Mesmo assim deu pra comer!

Faz tempo que eu queria comprar um tênis de caminhada pra fazer trilhas, aqueles que não escorregam e até cheguei a ver no Brasil antes de ir pra Machu Picchu, mas achei meio caro e desnecessário para aquela viagem. Tenho usado um antigo, mas o solado já tá liso e com um furo na parte de cima. Enfim, após o almoço fomos atrás desse tênis.
Em Avranches, aproximadamente a 35km daqui, tem uma loja da Decathlon. Rede varejista e produtora de artigos esportivos francesa com várias lojas no Brasil inclusive. Aqui elas são bem populares e com preços em conta. Encontrei um tênis da marca Merrel por €49 com desconto. Não conhecia essa marca, mas o Julien usa e disse que é boa. Vamos ver!

Trabalho voluntário em Portugal | dia 22

 

Sem respostas às nossas solicitações para voluntariar pelo Workaway, recebemos resposta de um casal através do Helpx, site semelhante ao Workaway onde também é possível trocar trabalho voluntário por acomodação. Esse casal vive no interior de Algarve, em Portugal, próximo à cidade de Faro. Ainda estamos acertando os detalhes, mas se tudo der certo, em breve estaremos lá.
Escolhemos Portugal por ser um país que há muito tempo eu queria conhecer. O Julien já foi, mas só conhece Lisboa e ele adorou! Tenho duas grandes amigas portuguesas, a Sara e Inês, que sempre faziam receitas portuguesas deliciosas, em especial o bacalhau com natas. Minhas expectativas em relação à gastronomia de lá são grandes. Enfim, todo mundo que eu conheço que já foi pra lá, diz coisas boas.
O trabalho aparentemente é simples e tem a ver com animais e jardim. Pelas avaliações de outras pessoas que já ficaram lá, parece que eles têm cachorros, cavalos e gatos. Estamos animados por essa nova experiência!

Apesar do calor, decidimos fazer sopa no pão para o jantar. Fizemos uma sopa simples de carne e legumes que ficou ótima! O problema é que quando colocamos no pão, o caldo foi absorvido e não parecia mais uma sopa. Acho que pra servir dentro do pão, o caldo tem que estar mais grosso ou ter mais caldo do que o normal pra sobrar. Ou devíamos ter cavado mais o pão. Fica pra próxima vez!

Atrás de maquereaux vimos golfinhos | dia 23

 

Fomos ‘experimentar’ o barco do pai do Julien hoje.
Ele e o pai, Philipe, estavam há dias planejando um dia bom para passear de barco e pescar. O dia estava perfeito, com sol, calor e pouco vento. Preparamos lanches, ovos cozidos, cervejas e fomos animados pra trazer vários ‘maquereaux’ pra assar no jantar. O peixe maquereau no Brasil se chama cavala e parece com a sardinha. Eu provei ela enlatada e gostei muito. É barata e vendida em vários tipos de molhos como mostarda, escabeche e o que eu mais gostei foi ao vinho com ervas.
No meio do passeio tivemos a sorte de ver golfinhos. Vários golfinhos estavam rodeando outros barcos próximos. Foi incrível!
O Julien me disse outro dia que falam por aqui, que os golfinhos comem todo os maquereaux e por isso que não tem muito mais. Deve ser por isso que não conseguimos pescar eles então!!! Pra não dizer nenhum, Philipe nos salvou pescando 2 peixes. Mas o maquereaux grelhado vai ficar pra outro dia!

Ah, compramos as passagens para Portugal. Encontramos um vôo barato no dia 14 por €70 de Paris-Faro com todas as taxas. É a primeira vez que compro com uma companhia aérea low cost (baixo custo) da Europa e achei muito bizarro o fato de que no valor base da passagem, não está incluso o assento. Como se houvesse a possibilidade de optar por ir em pé!

Trou Normand | dia 24

 

A irmã do Julien veio com sua família passar o final de semana aqui e chegaram para o jantar. A mãe dele, Isabelle, preparou um jantar especial. Para a entrada fez um suflê de caranguejo muito bom, receita da Nany!

A essa altura eu já estava satisfeita, pois tivemos um longo apéro recheado de vinho e petiscos. Mas antes de servirem o prato principal, me apresentaram o ‘trou normand’, um antigo costume da região de Normandia, onde se bebe uma dose de calvados, bebida alcoólica feita de maçã acompanhado de sorvete de maçã também. É servida geralmente entre dois pratos principais, como se fosse uma pausa para preparar o paladar e o estômago para outras etapas da refeição. Esse hábito é mais comum em datas festivas e especiais, pois no dia a dia não comemos dois pratos principais. A bebida é bem forte, mas com o sorvete não se sente tanto. Depois ainda comemos rosbife com batatas fritas e de sobremesa bolo de cenoura com uma calda quente de chocolate que eu fiz. Já era mais de meia-noite quando terminamos!!!

Petit Martin | dia 25

O sobrinho do Julien, Martin, ficou aqui conosco enquanto seus pais foram passar o final de semana na Ilha Chausey. Ele tem apenas 2 anos e meio, mas é super bem comportado. Me fez recordar que há muito tempo atrás li algo sobre como as crianças francesas são educadas e não fazem manha. No Brasil eu não tinha muito contato com crianças, mas sempre via crianças nos shoppings pedindo coisas pros seus pais, tomando refrigerante desde cedo, comendo doces quando não mandavam nos pais.

O Martin é a primeira criança francesa que tenho contato, mas me impressionei como ele consegue compreender as situações sem deixar de ser criança. Tem horário pra tudo. Na hora de dormir, com ou sem sono é levado pro seu quarto e fica lá sozinho até pegar no sono sem chorar. Aliás, nunca vi ele chorar. Na hora das refeições come de tudo, especialmente verduras e legumes sem reclamar.

Conversando com a mãe do Julien, ela disse que o Martin desde os 3 meses é acostumado a ter contato com outras pessoas e por isso não estranha ficar longe dos pais. Mas me disse também que conhece pais que não se importam tanto com a alimentação dos filhos. Depende muito de como os pais se comportam e lidam com a situação. Pra mim pessoalmente parece ser muito difícil dizer não, mas talvez seja a única forma de impor limites.
Passamos o dia com ele, fomos à praia e jantamos o esperado maquereaux assado!!!

Vizinhança e Foie Gras | dia 26

A casa dos pais do Julien fica numa vila próxima à rodovia, mas para chegar na casa deles, passa-se por pequena estrada onde se vê pastos com vacas e muito verde. Ao redor tem várias casas grandes, sem portões e às vezes você não sabe onde começa e termina cada propriedade.
Andando em volta, fiquei parada bem em frente à casa de uma vizinha olhando pro galinheiro. Logo a dona da casa apareceu com o seu cachorro, um buldogue francês bem fofo que ficava pulando pedindo carinho. A senhora vive sozinha e contou várias coisas da sua vida em poucos minutos. Disse que não faz muito tempo que viajou de avião pela primeira vez e que adorou. Contou que seus filhos vivem próximo e que sempre se encontram. Bem simpática falou para eu voltar lá. São pequenos simples gestos de pessoas que sequer conhecemos que nos fazem sentir acolhidos.

Minha família me pergunta às vezes sobre as diferenças culturais, comida, costumes e mesmo sabendo que existem vários hábitos que são diferentes, tem muita coisa parecida também. Oportunidade de imersão cultural que estou tendo por poder conviver diariamente com os franceses, mas é preciso gostar, deixar de lado os preconceitos e estar aberto à novas formas de viver!

Avistei o carro dos avós do Julien chegando para o almoço e voltei pra casa, mas com vontade de depois retornar lá e conversar mais com aquela senhora. No almoço experimentei o ‘foie gras’, fígado de pato ou ganso. É considerado uma iguaria francesa e tem uma textura de um patê amanteigado. O sabor é bom e me lembrou o patê de pato que eu comi aqui assim que cheguei. Isso só foi o início da comilança do dia!

Idiotas e oeuf à la coque | dia 27

Desde que começamos a viajar, temos sentido falta de um equipamento melhor e mais completo para registrar as nossas viagens. Utilizamos basicamente as câmeras dos nossos celulares e às vezes a câmera digital do Julien. Até que conseguimos tirar boas fotos, mas a qualidade não é boa para fotos a distância por exemplo. Compramos na semana passada um kit com um tripé, um selfie stick e uma lente ‘wide angle’ que aumenta o ângulo de visão por €17. O dia estava nublado, mas mesmo assim fomos até Granville testar. Lá existe uma piscina na praia, que enche quando a maré está alta, mas na hora em que fomos estava baixa e deu pra andar em volta dela. Entre o mar e a piscina tem uma barreira de rochas, onde montamos o tripé pra tirar foto, mas o tempo não estava bom, estava ventando muito e o tripé caiu com o celular do Julien bem numa poça d’água!!! Ele foi correndo pra tirar da água e ainda tava funcionando, mas com o passar dos minutos, foi parando de funcionar por partes e até que não ligou mais. Nos sentimos uns idiotas naquele momento!!! Nada de fotos e passeio!!! Voltamos logo pra casa para tentar secar o aparelho. No final das contas ele voltou a funcionar, felizmente!!! Às vezes ele reinicia do nada, mas espero que não seja nada demais.

No jantar depois da sopa ‘bouillon de poule’, experimentei o ‘oeuf à la coque’, que é um ovo cozido em 3 min e meio. Apenas uma fina camada da parte branca é cozida e a gema fica completamente mole. Abre-se somente a tampinha e mergulha pedaços de pão no ovo. Muito bom pra quem gosta de ovo e tá cansado de ovo cozido!

Pas de Moules Frites | dia 28

 

 

Desde que chegamos aqui na Normandia, o Julien comentou de me levar pra comer ‘Moules Frites’, um prato bem apreciado na França, especialmente no litoral. São mexilhões preparados ao vinho branco e ervas ou ao creme, e servidos com batatas fritas (preciso comentar que as batatas fritas daqui são as melhores que já comi. Não apenas porque elas não são aquelas congeladas, mas o sabor da batata em si é diferente das que eu estava acostumada). Convidamos os pais dele para jantar conosco, mas ao ligar nos restaurantes, descobrimos que não é época ainda e que teríamos que esperar pelo menos uns 15 dias pra que os mexilhões estivessem grandes o suficiente para que eles começassem a servir. Acabamos indo à um outro restaurante com boas referências que encontramos no TripAdvisor. O Parfum Poivre em Granville. Eles têm um cardápio variado, mas aparentemente as carnes são sua especialidade. Entre os nosso pratos escolhidos tinha risoto, ravioli e carnes. O meu era o ravioli ao creme servido com batatas fritas e salada. Tava bem saboroso! Experimentei também o ‘pommeau’, uma bebida alcoólica dessa região feita com maçã.

 

Daqui a 5 dias vamos a Paris encontrar com meu irmão e sua namorada. Eles estão viajando por várias cidades da Europa e nos dias 12 e 13 estarão em Paris. No dia 14 de manhã partiremos para Portugal. Enfim, nossos últimos dias em Normandia!

Au revoir / Até logo | dia 29

As despedidas começaram.
Passamos o dia retornando à lugares que já tínhamos ido. Às dunas do ‘fim do mundo’, à praia de Saint Martin, à casa de um casal de amigos da família do Julien…
Em Saint Martin experimentei o ‘beignet’, parecido com o nosso sonho, mas com uma massa tipo de pão, e recheio à sua escolha, podendo ser chocolate ou geléia. A massa já estava pronta, mas o atendente da loja aqueceu antes de colocar a geléia de morango, o que deixou mais gostoso.
Fomos convidados pelo casal de amigos da família para um apéro. Eles têm duas filhas, que eu já conhecia. Elas são pequenas, mas gostam muito de conversar, têm muita energia e super simpáticas! Lá eu vi como funciona um ‘hand ou fidget spinner’, um brinquedo que vende por tudo que é canto, mas que eu nunca tinha ‘testado’. Aparentemente tem no mundo todo e virou uma febre entre os adolescentes recentemente. Dizem que serve como uma ajuda para combater a ansiedade e diminuir o estresse. Você impulsiona o pequeno aparelho na ponta dos dedos e ele fica girando, girando…

30 dias e antepassados | dia 30

Hoje faz 1 mês que estamos na França e no final iremos ficar 35 dias. Ao mesmo tempo que passou tudo muito rápido, tenho a sensação de que estou aqui há muito tempo, que conheço muitas pessoas e lugares.
Hoje como ontem também foi um dia de despedidas… Fomos convidados por Nany e Papy para almoçar com eles na casa em Saint Martin. Julien e eu decidimos ir a pé. Fizemos os 8km em quase duas horas. Chegamos quase ao meio dia e a Nany estava preparando o almoço. Enquanto isso, durante o apéro, ela nos serviu salgadinhos folheados com caranguejo. Uma delícia! E Papy nos contou quando foi ao Níger, na África. Foi uma oportunidade nossa de passar o dia com eles. Almoçamos ‘petit salé’, uma carne de porco feita de forma especial e batatas fritas. Provei o queijo camembert da Normandia. Très bon! Jogamos pétanque com eles e a nossa tarde se foi… Ah, nos deram um joguinho passatempo de números para levarmos na nossa viagem.

Meus dois avôs faleceram quando eu era nova. A minha avó paterna morava em outra cidade. E a minha única avó viva hoje, a batian, está no Japão. Infelizmente não tive muitas oportunidades de conversar com meus avós, mas com certeza sei que teriam muito o que me contar. Sempre achei eles corajosos e aventureiros por terem deixado o Japão com suas famílias e terem atravessado o oceano em direção ao Brasil, sem conhecer a língua e a cultura totalmente diferente, para construir suas vidas. Enfim, acho que por isso que gosto tanto de viajar, de conhecer o desconhecido! O Julien é muito sortudo de ter os avós bem de saúde, ativos, que viajam, que compartilham pensamentos e ideias. E eu sou sortuda também de poder ter conhecido e convivido um pouco com eles.
Um dia especial!

Comi e amei! | dia 31 – extra

 

Depois de um mês bem vivido, comendo muitíssimo bem e experimentando novas comidas quase que diariamente, acho que consigo elencar as 10 coisas que eu mais gostei.
Mesmo que as outras comidas que provei não estejam listadas, isso não significa que eu não tenha gostado. A ordem abaixo não importa.

1. Maquereaux enlatado (filé de peixe maquereaux marinado ao vinho e ervas) e assado do pai do Julien;
2. Lapin au cidre da Nany (carne de coelho com cenouras à sidra, bebida alcoólica preparada com o sumo fermentado de maçã);
3. Salada de arroz com atum, tomate, pimentão e tempero especial da mãe do Julien;
4. Suflê de caranguejo feito pela mãe do Julien e receita da Nany;
5. Pêra francesa do supermercado ou feira – sem foto;
6. Queijo Camembert da Normandia – sem foto;
7. Maçã do amor de Saint-Martin de Bréhal;
8. Soupe a l’oignon do Bistrot des Vosges em Paris;
9. Œuf à la coque feito em casa;
10. Jantar completo no Le Comptoir de l’Atelier Gourmet em Granville

Malas, Sabonete mágico e ‘Bulot’ | dia 32 – extra

No nosso caso mochilões!
Amanhã cedo partiremos à Paris e queria deixar tudo arrumado. Apesar de não termos comprado praticamente nada, parece que não cabe tudo facilmente. É preciso ajeitar, rever se vale a pena continuar carregando determinado item e às vezes descartar se necessário. Como passaremos os próximos meses em lugares quentes por conta do verão, decidi deixar algumas blusas de frio pra trás. Ia deixar meu tênis velho, mas lembrei que em Portugal vamos ajudar na jardinagem e ele pode ser bem útil. Tem também várias peças de roupa que eu ainda não usei, mas sempre acho que vou precisar e por isso continuo carregando. Não é fácil se desfazer!

Ontem chegou o sabonete que o Julien comprou pra levar na viagem. É de uma marca americana, ‘Dr. Bronner’s’, e ela promete ter várias utilidades. É 100% biodegradável, e é possível lavar o corpo, o rosto, os cabelos, os dentes e até as roupas com um único sabonete. Vamos testar!!!

No final da tarde fomos à praia para assistir um torneio de handebol de areia. Quando chegamos, os jogos já tinham acabado, mas ainda tinha bastante gente curtindo o sol e o apéro. Tomamos chopp e lá experimentei o ‘bulot’, caracol do mar. Tem a textura do escargot, mas com aquele gosto característico de frutos do mar.

BlaBlaCar e Teatro | dia 33 – extra

Sem muitas opções de horários para ir à Paris, encontramos uma carona pelo BlaBlaCar, uma plataforma online francesa existente em vários países, inclusive no Brasil, onde conecta motoristas e passageiros dispostos a compartilhar o custo da viagem. É possível tanto oferecer quanto pegar carona com alguém. O motorista decide o valor que quer cobrar e geralmente vale a pena para os dois lados.

A tia do Julien faz teatro e ontem e hoje teve apresentação. Fomos assistir! A peça é uma comédia, se chama ‘Good answer’ e foi encenada em inglês. Foi bem divertido! Apesar da peça ter tido um fim, parece que vão gravar a continuação do final e depois enviar por e-mail. Estamos ansiosos pra ver o fim do fim!

Reencontros e Moules Frites | dia 34 – extra

Meu irmão está viajando pela Europa com a sua namorada e ontem à noite chegaram em Paris. É a primeira vez deles na cidade e como vão ficar apenas 2 dias praticamente, é difícil escolher onde ir e não ir. Mas é claro que a Torre Eiffel não podia faltar! Nos encontramos pela manhã no gramado em frente à torre e é impressionante como ela é bonita sempre e de qualquer jeito, seja debaixo de sol, chuva ou dias nublados.

Já era hora do almoço e o Julien encontrou um restaurante em que enfim eu poderia experimentar ‘Moules Frites’, os mexilhões com batatas fritas que não encontramos na Normandia. O restaurante é uma franquia e se chama Leon de Bruxelles. Eles servem carnes e peixes também, mas a especialidade é o mexilhão. Vários tipos de molhos e todos acompanhados de batatas fritas. Escolhemos ao molho curry, ao creme com champignon, o tradicional à marinière e uma salada. Todos são gostosos, mas eu gostei mais ao creme com champignon. Com vouchers de desconto do Groupon, pagamos €12 cada um.

Após o almoço andamos ao redor do Louvre e Montmartre, onde passamos pelo muro dos ‘Eu te amo’. Uma parede com azulejos azuis onde está escrito ‘eu te amo’ mais de 1000 vezes em mais 300 idiomas e dialetos. Vários casais apaixonados tirando fotos em frente, e para nós brasileiros uma razão a mais para visitar no dia 12 de junho.

Nos despedimos do meu irmão e da Giovana e fomos para o nosso segundo reencontro do dia. O Julien combinou de jantar com um casal de amigos franceses que ele conheceu na Colômbia. Assim como nós, o casal adora viajar! Após 18 meses viajando pelo mundo, eles retornaram à Paris onde estão trabalhando, mas já têm planos para a próxima viagem. É bom encontrar pessoas com as mesmas afinidades, que te entende e que os olhos brilham quando o assunto é ‘o próximo destino’. Quem sabe um dia nos reencontramos por aí…

Merci beaucoup, Merci pour tout | dia 35 – extra

Senti que acordei diferente. Uma mistura de felicidade por partir amanhã e conhecer novos lugares, e ao mesmo tempo sentida por deixar esse lugar. A França hoje para mim representa muito mais do que o país da Torre Eiffel e dos queijos e vinhos. E só de pensar que tudo começou pelo meu interesse em aprender francês. Aqui agora vivem pessoas que significam muito pra mim e que me mostraram uma França diferente. À vocês, merci beaucoup!

E ‘À bientôt’!

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