30 dias na França – Dia 1 a 15

por | maio 20, 2017 | 30 dias na França, Destinos, França | 5 Comentários

Pequenos souvenirs

Há 4 anos atrás vim à França pela primeira vez. Junto com uma amiga conheci os principais pontos turísticos de Paris em uma semana. Dessa vez, junto com o Julien, meu namorado que é francês, planejamos passar uma estada mais longa. Ele quis rever sua família que vive no noroeste do país. A ideia é ficar pelo menos um mês na França.

Pra mim que cursava letras em francês, vai ser uma grande oportunidade de melhorar e aprender mais a língua. E claro, conhecer o interior da França, a família dele e a cultura francesa de perto.

Chegando em Paris: o dia demora para escurecer | dia 1

Após 44 dias no Japão e um vôo de 14 horas, finalmente chegamos à França. Não tivemos atrasos com o vôo e a na imigração foi super rápido. Já era quase 9h da noite ontem quando chegamos na casa da tia do Julien. O céu ainda estava claro como se fosse 2 horas da tarde de um dia ensolarado. Antes de ir à Normandia, região onde seus pais vivem, decidimos passar 2 dias em Paris.

Oportunidade pra eu conhecer o que não deu na minha primeira vez aqui. Queria ir no café onde foram gravadas cenas do filme ‘O fabuloso destino de Amélie Poulain’, provar o Crème Brûlée, sobremesa francesa (apesar de ter visto essa sobremesa no Brasil em vários lugares, nunca cheguei a provar) e tomar a famosa Soupe à l’oignon gratinée, sopa de cebola gratinada. Fora isso o Julien quer me mostrar a ‘sua’ Paris, o bairro onde morou, os lugares que costumava ir quando morou na cidade.

Segunda chance de ver, fazer e comer o que não deu na primeira vez | dia 2

Dormimos cedo, mas bem pouco. Acordamos às 2h da manhã e não conseguimos mais dormir por conta do fuso horário.
Depois de enrolar por horas na cama, levantamos e fomos passear pela cidade. Passamos na primeira boulangerie que vimos e compramos croissant e pain au chocolat. Nas pequenas padarias não é comum ter espaço pra sentar e comer, então fomos andando e comendo até chegar na estação de metrô como muitos parisienses fazem.

A nossa primeira parada foi na Torre Eiffel. Tiramos algumas fotos e de lá fomos caminhando pela Avenue des Champs-Élysées, avenida famosa pelas lojas e restaurantes luxuosos. De Concorde, pegamos o metrô pra encontrar com o irmão do Julien. Fomos juntos ao café Des Deux Moulins, o café da Amélie Poulain que eu queria ir. Aproveitei e provei lá mesmo o Crème Brûlée. O de lá é feito com cardamomo, o que deixa o sabor mais forte. Pra ser sincera não gostei muito.

Andamos pelo bairro de Montmartre e como já era hora do almoço, fomos a um restaurante que serve a Sopa de cebola gratinada que eu também queria provar. Esse é um prato que eu gostaria de aprender a fazer. Parece simples, mas é bem saboroso e eu adoro sopas.
Um lugar que eu não conhecia e gostei bastante foi a Rue Mouffetard. Cheia de lojinhas charmosas especializadas em queijos (fromagerie), peixes (poissonnerie), carnes (boucherie), etc.

Julien me explicou sobre o ‘apéro’, hábito de tomar um aperitivo, geralmente bebida alcoólica antes da refeição junto com alguns petiscos. Não fazem em todas as refeições, mas é bem comum. E pro nosso apéro do dia, ele nos levou a um típico bar de vinhos. Grande variedade de vinhos e com um preço bem em conta. Podem ser servidos por taça ou garrafa. Tinha também vários acompanhamentos típicos da França, chamados de charcuterie. Provei um terrine de pato, que é tipo de um patê servido com fatias de pães e pickles.
Tínhamos planejado jantar depois, mas o cansaço bateu então resolvemos voltar pra descansar.

Mangetout: primeiro restaurante Michelin | dia 3

De novo acordamos cedo e ficamos pensando sobre o que iríamos fazer hoje.
Julien teve uma ótima ideia de irmos a um restaurante recomendado pelo guia Michelin. Sempre tentamos comer em lugares baratos, mas desde que começamos a assistir programas como Masterchef, Top Chef, Chef’s Table, nosso interesse pela gastronomia aumentou. Ele pesquisou e encontrou um restaurante com preço acessível chamado ‘Mangetout’ do chef Alain Dutournier. Por 20 euros se escolhe uma entrada, um prato principal e uma sobremesa dentre 5 opções cada e uma taça de vinho. De forma geral achamos simples, mas estava tudo gostoso.

Depois do almoço fomos andar por Butte-aux-Cailles onde o Julien morava antes de começar a viajar pela América do Sul. Um bairro bem tranquilo e charmoso. É bem diferente da Paris movimentada e cheia de turistas.
A noite junto com seus tios e irmão, tivemos o ‘apéro dinatoire’, que é tipo um jantar mais descontraído onde bebemos e comemos aperitivos.

Família reunida e muito apéro | dia 4

Acordamos bem cedinho e tomamos um ônibus em direção à Nantes, 350km de Paris. A irmã do Julien vive em La Chapelle Heulin, mais ou menos a 25km de Nantes, com sua família e nos convidou para passar o final de semana em sua casa. Estou escrevendo do ônibus e a minha volta vejo várias plantações de flores pequenas e amarelas. É bonito, mas ainda não sei que flores são.
A irmã do Julien trabalha com gastronomia. Ela tem um food truck onde prepara refeições completas como entrada, prato principal e sobremesa. Pro nosso jantar ela preparou uma torta folheada com escargot e peixe com alcachofra. O escargot me lembrou muito o shiitake. Gostei bastante. Desde o dia em que cheguei à França, tenho tomado vinho todo dia. Não sei se é a família dele que tem esse costume ou é por ser um momento especial, mas realmente sinto que estou na França.

O Grande Elefante de Nantes | dia 5

Pela manhã fomos conhecer uma atração famosa na cidade de Nantes, o Grande Elefante, no Les Machines des l’île. É uma grande máquina, tipo um robô no formato de elefante. As pessoas podem entrar no elefante e fazer o passeio.

Hoje também conheci um jogo chamado Mölkky. De origem finlandesa, se começa juntando os pinos (existe uma ordem certa) parecido com o boliche e depois com um outro pino, lança sobre os demais. O objetivo do jogo é chegar a 50 pontos exatos. Meio difícil de explicar, mas na realidade é bem simples de jogar. Mas não de ganhar.

Passamos a tarde comendo, bebendo, jogando e no meu caso tentando conversar. Os irmãos do Julien falam inglês, o que facilita a comunicação, mas na verdade gostaria de poder falar em francês. Iremos ficar a maior parte do tempo na casa dos pais dele e quero aproveitar o máximo pra aprender mais essa língua.

Finalmente em Muneville-sur-Mer | dia 6

Chegamos ontem à noite na casa dos pais do Julien. Segundo ele, aqui em Muneville-sur-Mer, tem mais vacas que pessoas. Eu estava muito ansiosa para conhecer o interior da França e a casa dos pais dele. A casa é grande e eles criam galinhas. Todo dia tem pelo menos dois ovos frescos.

Hoje pela manhã andamos até o centro da cidade, que na verdade é considerado uma comuna, uma vila. Tem aproximadamente 400 habitantes e a maior vila mais próxima se chama Bréhal, onde os pais dele trabalham.
A tarde fomos até a praia que fica em Saint-Martin-de-Bréhal. É um local onde as pessoas costumam passar o verão. Fora essa época a cidade é vazia.

Antes de voltar pra casa passamos em um supermercado. Dá vontade de comprar tudo pra experimentar! Hoje a noite vamos comer pato junto com os avós do Julien. Vai ser a primeira vez que como. Aqui eles adoram!

Um outro mundo | dia 7

Toda terça-feira de manhã, tem uma pequena feira em Bréhal. Assim como no Brasil, vendem frutas, legumes, roupas, flores, peixes e carnes. De diferente, vi barracas especializadas em queijos, claro. Nessa feira estavam vendendo galinhas vivas, o que me fez lembrar da minha infância, pois tenho a impressão de que antigamente no Brasil também vendiam ou continuam vendendo talvez.

É incrível como ver um cenário em que nunca esteve e estar inserido nele podem te levar a sentir como se estivesse vivendo outra vida ou época. Desde que cheguei aqui em Normandia tenho tido esse sentimento.
Experimentei hoje a pêra e o pêssego daqui, são suculentos e saborosos. Dá vontade de comer todo dia.

A tarde fomos até uma cidade próxima chamada Gavray para dar entrada no passaporte do Julien. Apesar da cidade ter menos de 1500 habitantes, achei incrível o fato de existir um centro de informações turísticas.
No caminho de volta, paramos em Cérences, outra cidade pequena com uma igreja no centro. Pelo que o Julien me disse, em cada comuna tem uma igreja. Compramos uns doces na confeitaria ali e sentamos na praça para comer. O lugar estava deserto. Aqui raramente vejo pessoas na rua.

De volta ao trabalho | dia 8

Desde o dia em que cheguei na França, escrevo meu diário todo dia, mas por conta da agitação da primeira semana como os reencontros com os familiares do Julien, os passeios nos primeiros dias e o tempo de nos instalarmos, deixamos de atualizar o nosso blog. Parece fácil, mas alimentar o site em 3 línguas diferentes leva muito tempo. Eu e Julien nos comunicamos em inglês basicamente, mas não temos o domínio total da língua e isso dificulta muito na hora de traduzir as nossas postagens. Decidimos hoje então, escrever apenas em francês e português. Enfim, hoje o dia está chuvoso e friozinho, então melhor ficar em casa e atualizar o blog.

A mãe do Julien fez galette bretonne no jantar. É tipo um crepe de massa mais escura e seca que você pode rechear com o que quiser. Comi com presunto, queijo, um molho de tomate e ovo com a gema mole. A massa é vendida pronta no supermercado e você prepara em uma frigideira. Super prático e gostoso. Adorei!

Assistimos antes de dormir o filme francês ‘En Solitaire’ (no Brasil, ‘Contra a maré’) que conta a história de um homem que participa de uma famosa corrida de veleiros ao redor do mundo, a Vendée Globe. O protagonista do filme é o mesmo ator principal do filme ‘Intocáveis’, François Cluzet. Pra quem gosta de filme francês assim como eu, vale a pena assistir!

Très gourmande | dia 9

Havíamos planejado ir pescar no mar hoje pela manhã. Não que eu saiba ou goste de pescar, mas ia junto pra passear e conhecer o barco que o pai do Julien adquiriu no Natal passado. No entanto, o dia amanheceu chuvoso como ontem e então foi cancelado.

No almoço comemos ‘Steak haché’ com vagens. Parece um hambúrguer, mas não é. É feito 100% com carne de boi sem nenhum condimento. Qualquer tempero é colocado no cozimento ou após. Eu sei que todo dia escrevo sobre comidas, mas é que são pratos novos pra mim e a comida francesa é realmente uma atração à parte.
A tarde fomos ao supermercado comprar ingredientes pra lasanha de berinjela que farei amanhã para o almoço. Reparei que muitos produtos aqui são mais baratos que no Brasil. Comprei um pacote de palmeira doce por €0,41, o que é menos que R$2,00.

No final da tarde fomos ter apéro na casa dos avós do Julien em Bréhal. Vinho e aperitivos numa casa grande e charmosa que tem muita memória afetiva para a família deles. Fotos da infância dos netos e uma cozinha igual àquelas de contos de fadas, azul, com utensílios pendurados nas paredes e um aquário com peixinhos na mesa.
Ao chegar em casa ainda tinha janta! Um caldo simples com macarrão fininho que desenterrou um sabor que eu já conhecia, mas que por muitos anos havia esquecido. E de prato principal, La Moussette de Normandie, conhecida como aranha do mar. É um crustáceo peludinho e com patas longas dessa região. Um sabor adocicado e suculento.

Enfim, ‘gourmand’ em francês pode significar tanto aquele que aprecia comer bem quanto aquele que come em quantidade. No meu caso acho que as duas definições servem.

Viva a diversidade | dia 10

Apesar da minha mãe fumar desde quase sempre, nunca prestei muitas atenção sobre assuntos relacionados ao cigarro. Porém, desde que comecei a viajar com o Julien que também é fumante, tenho reparado como cada país tem a sua forma diferente de lidar/combater o tabaco. Na Coréia do Sul e Japão por exemplo, ficávamos procurando lugares em que ele podia fumar, pois há várias sinalizações proibindo fumar em lugares públicos ou próximo às estações de metrô. Nesses países é comum ter ambientes fechados como se fosse um quartinho específico para fumar. Já aqui na França pelo o que tenho visto, pode-se fumar em qualquer lugar na rua. Entretanto para tentar reduzir o número de fumantes no país, a partir de janeiro desse ano, foi implantada uma medida em que todos os maços de cigarros vendidos na França devem apresentar a embalagem neutra, sem nenhum logotipo com o intuito de tornar o produto menos atraente. Segundo o Julien, o cigarro aqui é mais caro do que muitos outros lugares que ele já visitou. O maço aqui custa em torno de €7, mais ou menos R$ 25,00.

Hoje tivemos um jantar especial! Julien me levou à um restaurante em Granville, a 10km daqui. O restaurante se chama ‘Le Comptoir de L’atelier Gourmet’, e ele já conhecia e tinha gostado bastante. É um restaurante não muito grande todo decorado com garrafas de vinho, rolhas e pelas mesas estavam espalhados montinhos de cartas com perguntas sobre vinhos e potinhos com sal de diversos lugares diferentes do mundo. No nosso tinha sal do Havaí e flor de sal com baunilha. O menu de vinhos extenso enquanto o de comida apenas uma página e com a data do dia (acredito que todo dia devem apresentar alguma coisa diferente). O menu completo por €27 com 6 opções de entrada, 6 de prato principal e 10 de sobremesa. A apresentação dos pratos impecável e bem servidos. Primeiro comi com os olhos e depois degustei cada ingrediente. O restaurante utiliza somente produtos locais e frescos (tem até um quadro negro onde está escrito os nomes dos fornecedores para cada tipo de produto). Enquanto comia as framboesas da minha sobremesa, fiquei pensando o quanto sortuda sou de ter essa e muitas outras oportunidades de experiência…
Na volta pra casa por volta das 22h, acompanhamos o sol se pôr…

Passeio em Granville | dia 11

Para o almoço tivemos couscous que o Julien tanto adora. O daqui é diferente do cuzcuz que eu conheço do Brasil. É um ensopado com carnes de boi, frango e vários legumes com um tempero próprio e geralmente se come com semolina cozida.

Após o almoço fomos passear em Granville, a cidade em que o icônico estilista francês Christian Dior nasceu. A casa onde o estilista passou sua infância hoje é um museu dedicado à costura (€8 a entrada). Em volta da propriedade conhecida por ‘Les Rhumbs’, há um belo jardim com entrada livre ao público. Vários tipos de flores e um roseiral cheiroso com vista para o mar.

Depois andamos por toda a ‘Haute Ville’ (cidade alta) até chegar à Pointe du Roc, ponto historicamente  importante devido à ocupação dos alemães na segunda guerra mundial e onde se encontra o Farol de Granville. Lugar tranquilo com uma vista fantástica para o oceano.

A noite um casal de amigos dos pais do Julien vieram jantar conosco. Apéro, camarão flambado no whiskey de entrada, veau à provençale (vitela de boi cozida com ervas de provença e limão) e moelleux aux chocolate (tipo um pétit gateau nosso) para sobremesa. Não sei como eles fazem para se manter esbeltos, porque eu já estou no meu peso máximo. E olha que eles falam que eu como pouco!

Nany e Papy | dia 12

É assim que chamam carinhosamente a avó e o avô aqui na França. Às vezes em vez de ‘nany’ pode ser ‘mamy’ também.
E hoje fomos passar o dia com a nany e papy do Julien. Eles têm uma casa de veraneio em Saint-Martin de Bréhal e o engraçado é que as casas lá tem nome. O deles se chama ‘Interlude’.

A nany sabe uma receita de carne de coelho que ela aprendeu com sua avó e que o Julien queria comer. Se chama ‘Lapin au cidre’. Eu nunca tinha comido carne de coelho antes e fiquei meio assim, pensando nos coelhinhos brancos, mas aqui é bem comum, então eu tinha que experimentar. Acho que foi uma das comidas que mais gostei daqui. Sabor forte e bem temperado. Comemos com macarrão e pão. E a salada aqui vem só depois. De sobremesa, morangos com açúcar!

Os tios do Julien também estavam lá e então depois do almoço fomos jogar ‘pétanque’, um jogo originário de Provença, sul da França e bem popular nas férias de verão. Dentro de um círculo, em pé, se arremessa bolas de metal o mais próximo possível de uma outra pequena bola. Quem acertar mais próximo da bolinha vai acumulando pontos até chegar a 13. Pode se jogar em equipes e o mais legal é que toda a família, avós, pais, tios participaram, o que deixou o jogo mais divertido. A tarde ensolarada passou e nem vimos…

Livros, sonhos e caminhos | dia 13

Não tínhamos programado nada de especial para fazer hoje, então aproveitamos o dia ensolarado para fazer uma caminhada ao redor. Aqui em Muneville-sur-Mer encontra-se muito verde, plantações de trigo, vacas e algumas placas de circuitos de caminhadas. Essas placas me lembraram o caminho de Santiago de Compostela. Um sonho antigo que nasceu quando comecei a ler livros do Paulo Coelho na minha adolescência. O primeiro livro dele que eu li, foi o Alquimista. Lembro que na época tinha acabado de chegar no Japão e sem ter o que fazer no começo, comecei primeiro a assistir todas as novelas brasileiras gravadas em fita cassete e depois a ler os livros que encontrava pelo apartamento. Me recordo do livro ‘Assassinato no Campo de Golfe‘ da Agatha Christie, que me fez tornar fã dela e o ‘Alquimista’ que em um momento delicado da minha vida, me fez enxergar luz, esperança e a acreditar em sonhos.

Depois, ao longo dos anos, adquiri vários outros livros do Paulo Coelho. Mas foi ao ler ‘O diário de um mago‘, onde ele conta sobre sua experiência pessoal ao fazer o caminho de Santiago de Compostela, que me despertou a vontade de fazer esse caminho também. Uma caminhada longuíssima que tem várias rotas, mas a mais tradicional, o caminho francês, tem 800km. Ela começa no sul da França e atravessa praticamente todo o norte da Espanha até chegar a cidade de Santiago de Compostela. Leva em torno de 30 dias para concluir todo o caminho, mas mesmo eu que canso logo quando me exercito, quero fazer! O difícil pra mim é carregar a mochila enquanto ando, mas quem sabe um dia encaro esse sonho. Afinal, para realizar sonhos é preciso ter coragem!

La Cabane Vauban | dia 14

Na semana passada quando o Julien deu entrada no pedido de passaporte novo, informaram que demoraria de 3 a 4 semanas, e ele me disse que achava que poderia demorar mais tempo ainda, pois segundo ele, o serviço público aqui é bem lento. Mas para nossa surpresa, ficou pronto hoje, em menos de uma semana! Fomos buscar após o almoço e depois ele me levou à ‘La Cabane Vauban’, uma pequena construção de granito que fica sobre as falésias de Carolles Champeaux.

Do local onde fica a cabana, é possível enxergar o Monte Saint-Michel no meio das águas do mar. Nunca vi nada igual! De lá andamos por uma pequena trilha que leva à uma praia cheia de pedras e conchas. Lugar quase deserto, bom pra relaxar!

Na volta passamos na biblioteca de Bréhal para buscar a mãe do Julien que trabalha lá. Em frente à biblioteca tem uma pequena rotatória que há dias tenho reparado nela. E hoje notei que colocaram flores. Aqui nessa região tem muitas rotatórias e a maioria são decoradas e floridas. C’est mignon! (É fofo!).

Francês língua e homem | dia 15

O meu primeiro contato com a língua francesa se deu quando me mudei para Curitiba. Após 10 meses de estágio em hotelaria no Japão, decidi tentar algo fora de Londrina, e como meu irmão estava morando em Curitiba (continua morando), fui pra lá. Consegui emprego mais rápido do que imaginava em um hotel bem na rua de casa. Como não tinha muitos amigos na cidade, resolvi me ocupar estudando uma nova língua. Sempre tive interesse por idiomas e já estudei inglês, espanhol e japonês. Fiquei entre o italiano e francês, mas acabei escolhendo o francês por ser uma língua falada em mais países.

Isso foi em 2011 e depois acabei voltando pra Londrina onde continuei meus estudos. Estudei por um tempo na Aliança Francesa, mas depois parei, recomecei com um professor particular e então decidi que eu queria estudar Letras em francês na Universidade de Londrina. Pois assim, aprenderia além da língua, cultura e história francesa também. Prestei o vestibular, passei (praticamente sem concorrência) e quase terminei o primeiro ano. Quase porque aconteceram algumas greves no meio e quando estava pra terminar, conheci o Julien. Achei que por ele ser francês, aprenderia mais rápido com ele. Só que não! Enfim, contei toda essa história pra dizer que mesmo tendo estudado por um bom tempo, existem palavrinhas simples ou expressões que só fui aprender aqui na França.

Alguns exemplos:
• ‘truc’, que pode significar ‘coisa’ e usam muito quando não se lembram o nome de algo;
• ‘balade’ que significa ‘passeio’;
• ‘c’est nickel’ expressão usada para dizer ‘perfeito’ ou ‘que legal’;
• ‘oh, la vache’ (vache significa vaca literalmente), expressão que corresponde a ‘meu deus’, ‘nossa’, ‘caramba’ e;
• ‘putain’ e ‘merde’ (palavras não tão gentis, mas que usam muito) é tipo o nosso ‘que droga’ ou ‘merda’.

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